Certo homem descia de Jerusalém para Jericó, quando caiu nas mãos de assaltantes. Estes lhe tiraram as roupas, o espancaram e se foram, deixando-o quase morto. (Lucas 10:30)
Há momentos em que Deus nos confronta de forma tão direta que quase não conseguimos desviar o olhar. Foi assim quando mergulhei novamente na parábola do bom samaritano. Uma história tão conhecida, mas que, quando lida com o coração aberto, nos revela o quanto ainda precisamos crescer em compaixão, empatia e amor prático. Jesus não contou essa parábola para emocionar; Ele contou para desmascarar a nossa religiosidade e nos chamar a amar como Ele ama — sem filtros, sem aparências, sem justificativas.
Enquanto escrevo, sinto a lembrança de tantas vezes em que, por pressa, medo ou julgamento, eu mesma passei “pelo outro lado da estrada” emocional de alguém. Essa parábola nos coloca frente a frente com a forma como tratamos as pessoas. É como se Jesus perguntasse: “Você ama de verdade ou apenas quando é conveniente?”
Por que Jesus contou a parábola do bom samaritano naquele contexto?
A história nasce de uma pergunta aparentemente sincera: “Quem é o meu próximo?”
Mas Jesus, conhecendo o coração, percebe que aquela pergunta tentava reduzir o amor a uma categoria limitada. O mestre da Lei queria uma definição teórica; Jesus oferece uma revelação espiritual.
O cenário da parábola é real: o caminho de Jerusalém a Jericó era perigoso, íngreme e cheio de assaltantes. Um homem é atacado e deixado quase morto. Então, três personagens surgem:
- Um sacerdote
- Um levita
- Um samaritano
Os dois primeiros representam aqueles que conheciam a Lei, mas que, por alguma razão — medo, julgamento, autopreservação — passam direto. E quantas vezes nós também fazemos isso? Conhecemos a Palavra, mas deixamos que a conveniência cale o amor.
Já o samaritano, socialmente rejeitado pelos judeus, é o único que para. Ele se aproxima, toca, cuida, investe, volta depois para garantir que o homem estaria bem. Jesus reverte a lógica: o improvável se torna o exemplo perfeito.
O que Jesus nos revela sobre amor quando fala do samaritano?
A primeira coisa que Jesus revela é que amor não é teoria, é movimento.
O texto diz: “Mas um samaritano, estando de viagem, chegou onde se encontrava o homem e, quando o viu, teve piedade dele” (Lucas 10:33). A palavra usada para “piedade” indica um sentimento profundo, que mexe por dentro, que empurra para a ação.
Amar além das aparências significa:
- Enxergar o outro como alguém digno de compaixão
- Romper barreiras culturais, sociais e emocionais
- Interromper nossa rotina
- Gastar tempo, energia e até recursos
- Amar sem esperar nada em troca
Esse amor não é natural; é fruto do Espírito. É o amor que Jesus demonstrou quando escolheu se aproximar de nós, mesmo quando estávamos caídos, feridos e distantes.
O que impede você de amar como o bom samaritano?
A parábola nos confronta com nossos bloqueios internos. Às vezes é o julgamento — “Ele merece estar assim.” Outras vezes é o medo — “E se eu me envolver demais?” Em outras, é a indiferença — “Não é problema meu.”
Mas Jesus nos chama para o caminho oposto. Ele nos chama para amar até quando:
- Não entendemos totalmente a situação
- Não nos sentimos preparados
- Não recebemos reconhecimento
- Ninguém está vendo
- Parece custar mais do que podemos dar
O maior impedimento não é a falta de capacidade, mas a falta de disposição. Por isso Jesus conta essa parábola: para reavivar o amor que Ele mesmo plantou dentro de nós.
Como essa parábola revela o próprio amor de Cristo?
O bom samaritano é símbolo de Jesus. Ele é quem:
- Enxerga nossa condição
- Se aproxima quando ninguém se aproxima
- Cura nossas feridas
- Carrega nosso peso
- Paga o preço da nossa restauração
Quando Jesus diz “Vá e faça o mesmo”, Ele não está dizendo para imitarmos uma ação isolada. Ele está nos chamando a viver uma vida de amor sacrificial, como a dEle.
É um convite para permitir que o amor de Cristo transborde para além da nossa zona de conforto.
É um chamado para sermos resposta para a dor do outro.
É um desafio para amar aqueles que o mundo ignora.
Conclusão
A parábola do bom samaritano é mais do que uma história: é um espelho. Ela revela o quanto ainda precisamos permitir que o Espírito Santo transforme nossa forma de olhar, sentir e agir. Amar além das aparências é amar como Jesus: com entrega, compaixão e verdade.
Que essa mensagem desperte em você um amor mais profundo, mais maduro e mais parecido com o de Cristo. E que, ao seguir sua caminhada, você continue encontrando aqui no Dias com Jesus alimento para crescer na fé e viver o Evangelho de forma real.
Perguntas Frequentes (FAQ)
O que a parábola do bom samaritano ensina?
Ela ensina que o verdadeiro amor é prático, atravessa barreiras e se manifesta em ações concretas de compaixão.
Quem era o samaritano na parábola?
Era alguém rejeitado pelos judeus, mas que demonstrou o amor mais genuíno, tornando-se o modelo de misericórdia que Jesus queria destacar.
Por que o sacerdote e o levita passaram direto?
A parábola não explica, mas mostra que religião sem compaixão não reflete o coração de Deus.
O que significa amar além das aparências?
Significa olhar para as pessoas como Deus olha, sem julgamentos prévios, sem rótulos e sem medir quem “merece” ser amado.
Como aplicar essa parábola hoje?
Aplicamos oferecendo ajuda prática, ouvindo com empatia, cuidando dos feridos emocionais e espirituais e vivendo com um coração disponível.
O que Jesus quis dizer com “Vá e faça o mesmo”?
Ele nos chama a agir como o samaritano: amar com intencionalidade, misericórdia e disposição para servir.





